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A economia capitalista absolutiza a sobrevivência. Ela se nutre da ilusão de que mais capital gera mais vida, que gera mais capacidade para viver. A divisão rígida, rigorosa entre vida e morte marca a própria vida com uma rigidez assustadora. A preocupação por uma boa vida dá lugar à histeria pela sobrevivência. [...] E eu me realizo na direção da morte. Otimizo a mim mesmo para a morte. [...] A sociedade atual do sobreviver que absolutiza o sadio destrói precisamente o belo. A mera vida sadia, que hoje adota a forma de sobreviver histérico, converte-se no morto; sim, num morto-vivo.
Nesse momento, senti que questionava novamente a mim mesma, coisa que achei que tinha ficado no passado, coisa que achei que havia aceitado ─ minhas decisões futuras, que apesar de não tomadas ainda, logo serão. Aquilo que assombra muita gente, principalmente alguns apaixonados por certas coisas, e hoje me vejo encarando isso, a necessidade por lecionar talvez me assombre, porém nunca me vi encarando outra coisa, não quero lutar pelo direito de ser psicóloga, até porque não é meu desejo, nunca foi, aceitei que faria tal curso apenas para conseguir sobreviver, mas na verdade, não sinto nem um pouco de vontade.
Eu poderia abordar sobre o livro hoje, mas decidi falar de mim. Nunca pensei que iria querer lutar por algo assim, talvez eu nem lute, talvez eu nem tenha escolha na medida em que sou sustentada por pessoas que nunca deixariam eu fazer tal decisão. Não está em jogo, esse é o problema, minha aceitação só diz respeitava a mim mesma e como eu iria lidar com isso, porque isso não mudaria a vida das pessoas e a visão delas, porque eu continuaria tendo que escolher a psicologia. Eu não queria me ver questionando isso, mas eu sei que uma hora iria chegar, eu sabia que desde que disse para mim mesma que faria esse curso, mesmo sequer sabendo o porque, esse questionamento voltaria para mim, mas eu ficaria mais calma se quando ele viesse, houvesse outra resposta, talvez eu não quisesse resposta alguma, assumir meu desejo pela filosofia só me trará rejeição, rejeição que não sofro, talvez, desde quando fui tirada do armário aos 12 anos.
Mas sendo sincera, eu não espero me aceitar, eu espero me revoltar e viver a vida que quero, não quero viver questionando se fiz a escolha certa, porque sei que não fiz, sei que apesar de talvez traga algum retorno monetário, não me trará louvor algum.

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