Queria voltar a escrever para o Blog mas infelizmente ou felizmente estou muito ocupada com os estudos para o vestibular, têm sido meses cansativos de esforço, mas enquanto não obter minha aprovação não posso parar. Entretanto também tenho focado nas leituras que não parei desde que comecei, no final desse ano compartilho o que tem me entretido nessa caminhada!
sexta-feira, 17 de julho de 2026
Lookito para o cursinho
terça-feira, 23 de junho de 2026
terça-feira, 21 de abril de 2026
O Brasil bebe da hipocrisia como ninguém
Se a Argentina é um país estruturalmente racista, o Brasil...
Estabelecendo uma data fixa, o Brasil oficialmente é um país que preserva a paz antes de tudo, desde a constituição de 88. Sua população por vez não agiria de forma oposta a esse pensamento ─ sem conflitos internos ou externos. Vargas pregava em seu governo a união nacional, o mito da democracia racial. Mito esse que já faz parte do imaginário social brasileiro há décadas.
Recentemente, uma advogada argentina foi presa no Brasil, e para além do debate sobre como o Brasil, que considera racismo um crime inafiançável, permitiu que ela retornasse para seu país, algo novo surgiu no ar. A Argentina ser um país estruturalmente racista, fato esse que não se pode mais ser negado, já está no imaginário popular, não só brasileiro mas, da América latina toda. A Argentina, assim como o Brasil, passou por um processo de embranquecimento da população, utilizar miscigenação torna-se eufemismo porquê ali existia um papel claro (literalmente), apagar a população negra indígena que ali habitava, assim como no resto da américa. Contudo, diferente do Brasil que FALHOU nesse processo, a população da Argentina hoje é composta 95% por pessoas brancas. Com raízes racistas e com uma população majoritariamente branca, a Argentina consequentemente seria um país racista.
Mas será que o brasileiro pode mesmo falar sobre o racismo argentino quando o próprio país se banha em raízes racistas da mesma forma? Em 2024, 86,2% das pessoas mortas pela polícia no Brasil, eram pretas ou pardas. Em 2018, 25,2% dos jovens entre 18 e 24 anos estavam cursando ou já haviam concluído o ensino superior no Brasil, somente 18%,3 eram pretos ou pardos, a metade dos jovens brancos, que eram 36,1%. Em 2021, a renda média de trabalhadores brancos era 75,7% superior à de trabalhadores pretos. Em 2022, 84% das pessoas resgatadas de trabalhos análogos à escravidão eram negras. O que eu posso mais dizer sobre, quais dados eu posso mais mostrar para deixar claro o que quero dizer? No Brasil, 30% das pessoas acreditam que a população racista no Brasil é a menor parte. Como um país que vive dessa forma, tendo 56% da sua população sendo preta, pode olhar para a Argentina e querer se achar tão superior? Se a Argentina é estruturalmente racista, o Brasil é estruturalmente racista também mas hipócrita.
Pretendo fazer disso uma série de textos sem data limite para serem postados.
Fontes:
https://outraspalavras.net/trabalhoeprecariado/retrato-do-racismo-estrutural-no-trabalho/
https://g1.globo.com/politica/noticia/2024/11/20/datafolha-racismo.ghtml
domingo, 19 de abril de 2026
quinta-feira, 9 de abril de 2026
Dificultosa se torna a criação do homem como indivíduo, quando sua maior representação de autoridade, na maioria das vezes, sua mãe, é uma mulher. O que de princípio é um remorso pelo indispensável respeito que deve-se ter, assim como crianças mulheres têm, quando introduzidos em sociedade, desenrola-se um pensamento machista, negativando a visão da mulher como autoridade, "uma mulher não pode ser maior que eu".
sexta-feira, 3 de abril de 2026
Tem tanta coisa acontecendo
Esse ano começou de um jeito muito atípico, talvez por isso não tenha dado tanta atenção ao meu blog. Mas hoje venho aqui contar algumas novidades talvez que ocorreram em minha vida.
Em janeiro, passei minhas férias na minha querida cidade Santos, foi incrível. Quando voltei, ingressei num curso de costura e num curso pré vestibular, é muito legal conhecer pessoas novas apesar de nenhuma ter me despertado um grande sentimento de amizade. Recentemente, terminei, depois de muitos meses, "Vigiar e Punir" de Michel Foucault, e recentemente, também, comecei "Água viva" de Clarice Lispector, mas logo termino por ser uma obra curta.
Não sei quais sentimentos por dentro de meu peito porque agora, depois de um ano, me vejo ocupada novamente, não existem mais lacunas em minha rotina para pensar sobre as questões que gostava tanto de aqui abordar, quis manter, ao menos, o habito da leitura que capturei pela primeira vez em minha vida.
domingo, 8 de março de 2026
A luta não pode parar
sábado, 7 de março de 2026
Uniforme como dispositivo de castração
Desde meu primeiro dia de aula em 2012, quando eu tinha 5 anos, eu uso uniforme. Naquela época era interessante, principalmente por eu usar uma opção alternativa que era o short saia ─ mas a gente cresce, e a revolta chega. Lembro de um seriado chamado Andy Mack, que via quando criança, por volta de 2016 e 2017 quando já estava criando algum senso crítico sobre as coisas. Em um episódio em especial, uma direção nova chega na escola que a turma de Andy estudava, e garotas são impedidas de utilizarem algum tipo de vestimenta que não me lembro qual especificamente (10 anos já né). E foi algo que me impactou muito naquele momento, talvez nós brasileiros sejamos muito impactados por isso a infância e adolescência inteira. O modelo americano escolar é algo que mexe com nossa química cerebral, principalmente por termos nos acostumado com o padrão de uniforme que esteve presente desde a nossa pré infância.
Quando cheguei no ensino fundamental II, enfrentei esse problema mais de frente do que a maioria das pessoas. Por conta das alterações hormonais decorrentes de uma puberdade um pouco precoce, meu corpo teve problemas com os uniformes proporcionados pelas instituições que frequentei ─ desde esse momento minha relação uniforme-aluno foi hostil, mas foi escalando. Cheguei na pré adolescência e me vi encarando mais ainda o problema com os uniformes ─ além de não me caber enquanto individuo que lidava com problemas hormonais, também não me cabia como pessoa singular cheia de gostos e querer. Uma das minhas melhores alternativas naquela época, eram os casacos, tanto para esconder o odor desagradável quanto para suprir um pouco da angustia de querer ser um pouco mais do que eu podia ser naquele instante. As consequências naquele primeiro momento não foram poucos, e assim se estendeu até o final do meu ensino fundamental.
No ensino médio obviamente não seria diferente, apesar das regras de vestimenta serem um pouco mais favoráveis, ainda assim não chegavam a um nível de liberdade do meu agrado, mas poder ainda assim escolher qual tipo de camiseta utilizaria, me deixou muito feliz, não iria mais ter que sofrer bullying pelo mal cheiro deixado nas blusas de poliéster. Mas o que nos meus 15 anos pareceu suprir alguma lacuna, nos 16 e 17 não foi o mesmo, o senso foi crescendo, me encontrei na moda, mesmo que naquele momento menos do que atualmente, ainda assim me chateava. No calor de uma cidade litorânea brasileira, usar blusa fechada parecia e era um absurdo, tanto no curso técnico quanto na escola as pessoas passavam mal e lutavam diariamente com o calor de um dia inteiro. Nada de saias, mesmo que longas, nada de regatas, mesmo que sem decote e nada de bermudas, mesmo que sem rasgos. O uniforme se tornou dispositivo de opressão mesmo sem antes sequer saber do que se tratava isso. Uma obrigação, algo que me podava de ser quem sou.
Então, terminei a escola no ano de 2024, foi incrível sentir a liberdade de escolher o que poderia vestir, apesar de não ter frequentado nenhuma instituição de ensino durante meu ano de 2025, eu ainda pude explorar minha singularidade nas poucas vezes que deixei minha casa para ver a luz solar do nordeste, mas que durou pouco. Por conta do meu desempenho abaixo da nota de corte no curso escolhido para ingressar no ensino superior, tive que voltar aos estudos, mas dessa vez dentro de uma instituição, que me surpreendeu, no primeiro dia de aula ouvir que seria obrigatório o uso de farda escolar. O que pareceu um sonho, caiu por terra, não esperava encarar novamente essa dinâmica dentro de um cursinho pré vestibular.
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