Começar esse texto é meio difícil pois não tenho muito onde me apoiar nem me embasar. O pensamento surgiu quando um amigo hetero cis me disse de onde vieram suas amizades, que grande parte eram dos ambientes que frequentava, como trabalho e faculdade, mas outro além desse, o futebol. Esporte que está além do que se apresenta ser, é algo inerente na cultura brasileira, e mais presente ainda no cotidiano masculino, não somente como um esporte mas um meio de socialização de indivíduos. O futebol é o ambiente dos homens para os homens, apesar da história de ser um esporte masculino ter ficado no passado, continua permanecendo como o maior meio social do sexo masculino. Então surge a duvida, e qual seria o feminino?
Sugerir outro esporte como vôlei seria equivalente a dizer que tem homens que não gostam de futebol, são poucos, assim como o público feminino que gosta de praticar atividades físicas além de academia, ioga e pilates. Longe de mim ousar dizer que esses 3 citados não são ambientes se socialização, esses 2 últimos sendo predominantemente feminino. Mas eu busco algo além disso, algo que defina meu gênero. Somos bombardeados cotidianamente com ideologias de gênero mas nunca se estabeleceu um lugar feminino além dos salões de beleza e lojas de roupa? O gênero feminino se resume ao consumo?
Recentemente, na internet surgiu uma onda de discursos de empoderamento feminino, puxo até um pouco sobre dois temas que já falei aqui no blog, aquela matéria da VOGUE sobre como ter um namorado é vergonhoso e o texto sobre Capital cultural. Nesses dois casos vemos duas tendências, ambas que se associam diretamente com o que trago aqui hoje.
Nessa onda de incentivo ao capital cultural, algo que reparei em dois vídeos que explicavam rasamente sobre o tema, era citando a criação de clubes do livro de marcas famosas, curiosamente surgindo quase que acompanhado da matéria da vogue sobre como ter um namorado é vergonhoso. Surge então esse olhar sobre as mulheres de que, do nada, precisamos ser algo, novamente, não me entendam mal, a busca por conhecimento sempre será algo que eu incentivo e aprovo, o que me revolta talvez é como essas coisas são momentâneas, por que sendo sincera, não acompanho esses posts no substack sobre "Tutorial de como se tornar interessante", já faz uns 2 meses, não sei se a trend do momento ainda é essa, pois as coisas escalam num nível tão rápido que não poderia mais afirmar da veracidade dos fatos agora aqui apresentados. Mas meu ponto quando engajo nesse assunto para falar do tema de hoje é: Os fazeres femininos, além do cuidados, são tão sucateados que hoje mulheres não ocupam lugar algum.
Sabe aquela frase popular que homens são eternos garotos? De modo contrário, nós mulheres crescemos rápidos e nada se torna nosso além daquilo que nos foi designado no momento em que viram na ultassom qual seria nosso sexo, o feminino, a marca da besta. "Coisa de mulher" é algo vergonhoso e degradante até pró próprio indivíduo mulher, aprendemos desde cedo odiar tudo o que nos é direcionado, enquanto os homens, abraçam, o futebol está ai para provar, na fundamental I os meninos cortavam moecano igual do Neymar, enquanto as meninas negavam a cor rosa, não era mais legal ser menina, quem usava rosa agora era burra e fútil. E então crescemos assim, com vergonha do que somos, resumem ser mulher a futilidade, as vezes é sim, mas na verdade o que eu quero dizer quando falo isso é o que de fato é futilidade, termo direcionado a nós por coisas que eles mesmo fazem. Adorar ídolos é somente idiota e fútil quando é feito por nós, então, se ser mulher é isso, eu aceito esse fardo, não posso mudar a visão masculina do que deveria ser considerado relevante para compor um ser humano tão profundo como os possuidores do falo. Será que essa onda de busca por conhecimento não está apenas ligada a o que os homens consideram ser útil ou não?
Mulheres jamais terão local quando nós jamais aceitaremos quem somos, se tudo o que nos é direcionado é de cunho ofensivo, então jamais vamos adotar algo para nós. Infelizmente, a grande parte de nós, até eu talvez, está inserida cegamente na lógica machista do que compõe nosso gênero. Se tudo o que é nosso é denegrido então nenhuma de nós vai querer ser aquilo. Mulheres julgam umas as outras por estereótipos feitos por homens que logo em seguida voltam para nossos próprios seres por que o intuito jamais foi nos acolher, somente nos dividir. Não temos local por que odiamos quem somos, ser mulher e fazer coisa de mulher é eternamente vergonhoso.
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