Recentemente, a VOGUE postou um artigo intitulado "Ter um namorado é constrangedor hoje em dia?". Em resumo, isso se dava por grande parte das mulheres destinarem suas vidas aos seus namoros quando davam inicio a um e influenciadoras que apresentavam uma diversidade de conteúdos a partir do momento em que ingressavam em um relacionamento, tornavam suas redes socias sobre isso, acarretando em perca do público inicial.
Mas eu acredito fortemente que isso não passa de uma tendência, assim como excluir redes socias e buscar por hobbies offline se tornou uma tendência, isso também terá o mesmo caminho. Falar mal de homem sempre foi algo presente no mundinho heterossexual, e todos sabemos que a próxima moda sempre será contraria a anterior e como as tendências estão mudando rapidamente, então, acredito que isso seja um resultado da enxurrada de conteúdos Tradie wife que tomaram as redes socias desde 2023.
Entretanto, meu motivo para abrir a postagem de hoje é um pouco mais problemático e estrutural do que somente uma tendência. Agradeceria eu que isso fosse somente um acontecimento passageiro e que daqui a 5 meses a moda fosse outra, onde a misoginia e tudo que nos cerca enquanto mulheres deixasse de existir amanhã.
Ontem, a Câmara dos deputados aprovou uma PDL em ATRAPALHA, meninas que foram estrupadas de conseguir abortar, agindo por meio do ocultamento da possibilidade de aborto, um direito não informado, visando que a pessoa abusada prossiga com a gestação.
Além de um retrocesso imenso, isso é um aviso claro, novamente, de que nós mulheres não passamos de objetos. Isso não visa a vida do feto, pois esse feto irá nascer, crescer, e, provavelmente, ter uma vida desgraçada. Na verdade, talvez vise, porque ele será importante enquanto não sair do ventre da criança, pois a partir do momento em que começar a ser uma pessoa com CPF e um nome, um rosto, UMA COR, deixará de ser protegido pelos homens. HOMENS pró-vida só existem até o momento em que, ser pró-vida diz respeito a controlar corpos femininos; aprisionar crianças às impedindo do direito da liberdade, de uma infância vivida na medida em que já não se é mais uma infância no momento em que sofre abusos de seu pai, tio, primo, avô, amigo intimo da família e qualquer outro homem próximo de seu ciclo social que acha que tem o direito de abusar de um corpo, uma alma, um ser ─ mas se pensar um pouco, o direito ele tem, não teria se pelo menos o Estado fingisse que defende crianças e repudia estupradores, mas já não é mais realidade, o "Estado", agora defende que estuprador é pai.
E isso nos faz retornar ao título que atribuí a este post, "O desprezo por homens está cada vez mais impossível de ser contido". Me encaro todo dia percebendo que odiar homens é imanente ao meu sistema, não existe, por agora, uma realidade em que homens sejam indivíduos agradáveis para meu ser tendo em vista todo meu posicionamento feminista. Seria de muito egoísmo meu não me importar com tal tema somente por não fazer parte de vivência. Até porque, sabemos da realidade de quem faz tais acontecimentos ─ de garotas pretas faveladas como em Sonhos roubados e garotas indígenas como vimos em Manas ─ Se abster de tal tema e fechar os olhos para essas crianças, é ser conivente com estupradores.
Odiar homens já é realidade.
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