Consumo, logo existo
Vejo com uma frequência quase que absurda, pessoas afirmando fervorosamente os motivos pelos quais as pessoas estão começando a se vestir "iguas". E o que me revolta nesses textos feitos por pessoas mais novas que eu, ou menores de 20 anos, é que são feitos com 0 embasamento ─ quer dizer, embasamento tem, um vídeo no tiktok normalmente feito por alguém que também não sabe merda alguma. Não que eu esteja brava com as pessoas que produzem isso, até porque nessa idade, eu também achava que sabia algo, mas me estressa que o público sente profundamente que aquilo tem razão. Não sou guardiã da verdade, longe disso, tenho somente 18 anos e sede de saber, então, lógico que me revolta ver gente repassando um discurso pronto sem sequer se aprofundar nele. Por que as pessoas estão se vestindo iguais? Será que isso está acontecendo somente AGORA?
As pessoas consomem com o único intuito de se encaixarem em devidos títulos, isso não é de agora, nunca foi de agora, porém com o surgimento das mídias sociais, isso se acalorou bem mais. Entretanto, era algo já comum causado por revistas e filmes. A moda sempre existiu, mas não se pode negar que a volatilidade dela nos tempos atuais está cada vez maior.
Marx disse, "o valor que cada um possui aos olhos do outro é o valor de seus respectivos bens. Portanto, em si, o homem não tem valor para nós", isso em 1844, quase 200 anos atrás. Então, se nós, enquanto sociedade ditamos que uma pessoa deve usar um Labubu pendurado na bolsa, para estar na moda, então ela usará, ela fará parte de nossa sociedade, ela terá valor enquanto individuo. É quase que impossível falar desse tema, sem querer puxar um gancho para a passagem rápida de tendências, mas hoje me pouparei.

"Assim como um objeto se associa a seu dono nas comunidades tribais, na sociedade de consumo o mesmo ocorre sob a sofisticada égide da grife. Não se compra uma" blusa, compra-se uma estética cleangirl; não se adquire uma bolsa, e sim uma Birkin (modificando para se adequar ao tema), diz Frei Betto, autor do texto "Consumo, logo existo", e ele continua: "Somos consumidos pelas mercadorias na medida em que essa cultura neoliberal nos faz acreditar que delas emana uma energia que nos cobre como uma bendita unção, que nos leva a crer que pertencemos ao mundo dos eleitos, dos ricos, do poder. Pois a avassaladora indústria do consumismo imprime aos objetos uma aura, um espírito que nos transfigura quando neles tocamos. E, se somos privados desse privilégio, o sentimento de exclusão causa frustração, depressão, infelicidade." Logo, o que nos resta é consumir igual loucos.
Portanto, fica exposto que, as pessoas estão de fato se vestindo iguais, mas não é algo da geração, criado exclusivamente por nós; o consumo é a maneira mais rápida de existir, e isso é algo presente em nossa sociedade, não é de agora, não aconteceu na meia noite de 2020, apenas se reformulou, de certa forma, aos mecanismos do mercado, agora é totalmente mais fácil se vestir igual as tendências da época, que apesar de muito mais cíclicas, ainda são tendências.
Nenhum comentário:
Postar um comentário